Logotipo CNM Muncípios Contra a Dengue

Envie-nos seu material, boa prática, sugestões, ideias, opiniões e dicas

Doenças

O Mosquito - Tudo sobre o Aedes Aegypti

Aedes aegypti é a nomenclatura taxonômica para o mosquito que é popularmente conhecido como mosquito-da-dengue ou pernilongo-rajado¹. É uma espécie de mosquito da família Culicidae proveniente da África. Atualmente são encontrados em quase todo o mundo, no entanto, preferem as regiões tropicais e subtropicais.

O mosquito se adaptou às zonas urbanas e, mais precisamente ao domicílio humano, onde consegue reproduzir-se e pôr os seus ovos em pequenas quantidades de água limpa. Sua importância se dá, devido a quantidade de doenças graves que o vetor transmite como a dengue, a febre amarela, a febre zika e a chikungunya e, neste sentido, o controle das suas populações é considerado assunto de saúde pública.

Figura 1: Ciclo do mosquito

Fonte: Internet

¹ FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 314

Figura 2: Características do mosquito

Fonte: Internet

Dengue!

É uma doença infecciosa febril aguda causada por um vírus da família Flaviridae e é transmitida, no Brasil, através do mosquito Aedes aegypti, infectado pelo vírus.

Em todo o mundo, existem quatro tipos de dengue, já que o vírus causador da doença possui quatro sorotipos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. Todos os tipos de dengue causam os mesmos sintomas, no entanto, podem se manifestar de formas diferentes em cada pessoa.

A dengue é transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti ou Aedes albopictus (ambos da família dos pernilongos) infectados com o vírus transmissor da doença

Varia de 4 a 10 dias, sendo em média de 5 a 6 dias.

Dengue Clássica

Caracterizada como uma forma mais “branda” da doença, semelhante à gripe e com duração média de 5 a 7 dias.

  • Febre acima de 39° - de 4 a 7 dias;
  • Dores de cabeça;
  • Cansaço;
  • Dor muscular e nas articulações;
  • Indisposição;
  • Enjôos e vômitos;
  • Manchas vermelhas na pele;
  • Dor abdominal (principalmente em crianças).

Saiba Mais.

O inseto ataca de dia, principalmente dentro de casa e nas pernas. Mulheres são mais vítimas que homens.

Manifestação grave da doença, caracterizada por alterações da coagulação sanguínea da pessoa infectada. Inicialmente os sintomas são os mesmos da Dengue Clássica, mas, após o terceiro ou quarto dia de evolução da doença, surgem hemorragias em virtude do sangramento de pequenos vasos e nos órgãos internos.

Podendo provocar sangramentos nasais e na gengiva, assim como hemorragias urinárias, gastrointestinais ou uterinas.

Manifestação gravíssima da dengue, caracterizada por complicações da dengue hemorrágica.

  • Queda ou ausência de pressão arterial;
  • Pulso quase imperceptível;
  • Inquietação;
  • Palidez e perda de consciência;
  • Alterações neurológicas;
  • Problemas cardiorrespiratórios;
  • Insuficiência hepática;
  • Hemorragia digestiva e derrame pleural.

Entre as principais manifestações neurológicas, destacam-se: delírio, sonolência, depressão, coma, irritabilidade extrema, psicose, demência, amnésia, paralisias e sinais de meningite. Se a doença não for tratada com rapidez, pode levar à morte.

Fonte: Arte G1

Através de exames laboratoriais (sorologia IgM, NS1 teste rápido ou ELISA, isolamento viral, PCR, Imunohistoquimica).

  • No curso de uma epidemia, a confirmação pode ser feita através de critério clínico-epidemiológico, exceto nos primeiros casos da área, que deverão ter confirmação laboratorial.
  • Durante surtos, também se considera caso confirmado de dengue aqueles casos notificados que não puderam ser investigados, pois se considera que todos possuem vínculo clínico-epidemiológico.

A pessoa com sintomas da dengue deve procurar atendimento médico. As recomendações são: ficar de repouso e ingerir bastante líquido. Não existem remédios contra a dengue. Caso apareçam os sintomas da versão mais grave da doença, é importante procurar um médico novamente.

O Boletim Epidemiológico - Volume 47 - nº 34 de 2016 – disponibilizado pelo Ministério da Saúde até a Semana Epidemiológica 37, Em 2016, foram registrados 1.438.624 casos prováveis de dengue no país até a Semana Epidemiológica (SE) 37 (3/1/2016 a 17/09/2016) sendo estes todos os casos notificados, exceto os já descartados. Nesse período, a região Sudeste registrou o maior número de casos prováveis (842.741 casos; 58,6%) em relação ao total do país, seguida das regiões Nordeste (317.483 casos; 22,1%), Centro-Oeste (168.498 casos; 11,7%), Sul (72.048 casos; 5,0%) e Norte (37.854 casos; 2,6%). Foram descartados 614.406 casos suspeitos de dengue no período.

Tabela 1: Casos de dengue por região.

Casos de Dengue até 20/09/2016
Região Casos Incidentes (/100 mil hab)
2014 2015 2016 2014 2015 2016
Norte 39.172 27.099 37.854 226,9 155,1 216.6
Nordeste 83.649 262.038 317.483 463.3 496,5 561.3
Sudeste 301.546 968.572 842.741 354,3 1.129,6 982.8
Sul 22.429 48.972 72.048 77,3 167,5 246.5
Centro-Oste 108.666 199.987 168.498 714 1.294.5 1.091.2
Brasil 555.462 1.506.578 1.438.624 273,9 736,9 703,7

Sinan Online (atualizado em a 04/01/2016; b 20/09/2016). População estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (dados atualizados em 12/07/2016). Dados sujeitos à alteração.

Tabela 2: Número de casos e incidência por Estado.

Casos de Dengue até 20/09/2016
Unidade de Federação Casos Incidentes (/100 mil hab)
2014 2015 2016 2014 2015 2016
Rondônia 1.592 1.363 7.472 91 77,1 422,6
Acre 1.113 5.066 2.210 72,20 630,6 275,0
Amazonas 6.079 3.485 7.967 156,9 88,5 202,3
Roraima 996 987 381 200,4 195,2 75,3
Pará 4.170 6.736 10.609 51,5 82,4 129,8
Amapá 1.946 3.007 1.633 259,2 392,2 213,0
Tocantins 3.276 6.455 7.582 218,9 426,0 500,4
Maranhão 2.338 6.918 21.402 34,1 100,2 310,0
Piauí 7.424 7.370 5.032 232,4 230.0 157,1
Ceará 21.136 61.269 49.672 239 7688,1 557,8
Rio Grande do Norte 10.507 21.513 57.214 308,3 625,0 1.662,1
Paraíba 5.353 19.104 35.450 135,7 480,9 892,5
Pernambuco 9.267 77.324 66.069 99,9 827,4 707,0
Alagoas 12.482 17.683 16.853 375,8 529,3 504,4
Sergipe 2.024 4.689 3.151 91,2 209,1 140,5
Bahia 13.118 46.168 62.640 86,7 303,7 412,0
Minas Gerais 56.620 173.903 523.597 273,1 866,3 2.509,0
Espírito Santo 17.915 20.398 39.627 461,1 519,0 1.008,3
Rio de Janeiro 7.085 60.540 77.174 43 365,8 466,3
São Paulo 219.926 713.731 202.343 499,4 1.607,6 455,8
Paraná 22.164 43.034 63.899 200 385,5 572,4
Santa Catarina 119 4.328 5.008 1,8 63,5 73,4
Rio Grande do Sul 146 1.610 3.141 1,3 14,3 27,9
Mato Grosso do Sul 3.060 20.317 34.012 116,8 766,3 1.282,9
Mato Grosso 6.550 15.207 18.243 203,1 465,7 558,7
Goiás 87.531 155.157 98.876 1.341,80 2.347,1 1.495,7
Distrito Federal 11.525 9.216 17.367 404 316,2 595,8
Brasil 555.462 1.506.578 1.438.624 273,9 736,9 703,7

Fonte: Sinan Online (atualizado em a 04/01/2016; b 20/09/2016). População estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (dados atualizados em 12/07/2016). Dados sujeitos à alteração.

Saiba Mais.

Acesse o link ou copie e cole em seu navegador o endereço "http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/situacao-epidemiologica-dados-dengue".

Sim. Os casos suspeitos devem ser comunicados e/ou notificados em até 24 horas a partir da suspeita inicial. Qualquer estabelecimento de saúde, público ou privado, deve informar a ocorrência de casos suspeitos às Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde e ao Ministério da Saúde.

Chicungunya

É uma doença infecciosa febril, causada pelo vírus Chikungunya (CHIKV), que pode ser transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e/ou Aedes albopictus.

Fonte: internet

O vírus é transmitido pela picada da fêmea de mosquitos infectados. São eles o Aedes aegypti, encontrados essencialmente na zona urbana, em áreas tropicais e o Aedes albopictus, presente em áreas rurais, no entanto, pode ser encontrado em áreas urbanas e peri-urbanas em menor densidade.

De 02 a 10 dias, podendo chegar a 12 dias.

  • Febre acima de 38 graus com início repentino;( 2 a 3 dias)
  • Dores intensas nas articulações de pés e mãos – dedos, tornozelos e pulsos;
  • Dor de cabeça;
  • Dores musculares;
  • Manchas vermelhas na pele;
  • Prurido leve.

Saiba Mais

Cerca de 30% dos casos não chegam a desenvolver sintomas.

São considerados casos suspeitos todas as pessoas que apresentarem febre de início súbito maior de 38,5ºC e dor nas articulações ou artrite intensa com início agudo e que tenham histórico recente de viagem às áreas nas quais o vírus circula de forma contínua. Sendo confirmado através de um dos seguintes testes específicos para diagnóstico- isolamento viral; detecção de RNA viral por RT-PCR; detecção de IgM em uma única amostra de soro ou com o aumento de quatro vezes no título de anticorpos específicos anti-CHIKV.

Saiba Mais

É fundamental: NÃO TOMAR REMÉDIO POR CONTA PRÓPRIA. A automedicação pode mascarar sintomas, dificultar o diagnóstico e agravar o quadro do paciente. Somente um médico pode receitar medicamentos.

Ainda não existe um tratamento específico para Chikungunya, como no caso da dengue. Os sintomas são tratados com medicação para a febre (paracetamol) e as dores articulares (antiinflamatórios). Recomenda‐se repouso absoluto ao paciente, que deve beber líquidos em abundância.

Saiba Mais

Não é recomendado usar o ácido acetilsalicílico (AAS) devido ao risco de hemorragia

Em 2016, até a semana epidemiológica 37, foram registrados 236.287 casos prováveis de febre de chikungunya no país (taxa de incidência de 115,6 casos/100 mil hab.), distribuídos em 2.297 municípios; destes, 116.523 (49,3 %) casos foram confirmados.

A análise da taxa de incidência de casos prováveis (número de casos/100 mil hab.), por regiões geográficas, demonstra que a região Nordeste apresentou a maior taxa de incidência: 368,4 casos/100 mil hab. Entre as UFs, destacam-se Rio Grande do Norte (702,0 casos/100 mil hab.), Pernambuco (472,9 casos/100 mil hab.), e Alagoas (453,4 casos/100 mil hab.).Foram confirmados 120 óbitos por febre de chikungunya, nas seguintes UFs conforme descrição: Pernambuco (54), Paraíba (21), Rio Grande do Norte (19), Ceará (10), Bahia (5), Rio de Janeiro (4), Maranhão (3), Alagoas (2), Piauí (1) e São Paulo (1), respectivamente. A mediana de idade dos óbitos foi de 61,5 anos, variando de 0 a 98 anos.

Saiba Mais

Caso autóctone significa que a doença é originária do próprio Município, diferente do caso importado, quando a pessoa é contaminada em outra cidade

Sim. Os casos suspeitos devem ser comunicados e/ou notificados em até 24 horas a partir da suspeita inicial. Qualquer estabelecimento de saúde, público ou privado, deve informar a ocorrência de casos suspeitos às Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde e ao Ministério da Saúde.

Atenção:

Caso a SMS ou SES não disponha de estrutura para receber as notificações de emergências epidemiológicas, o profissional deve ligar gratuitamente para o Disque Notifica (0800-644-6645), serviço de atendimento telefônico destinado aos profissionais de saúde. O atendimento funciona 24 horas por dia durante todos os dias da semana. Esta notificação também poderá ser feita por meio do correio eletrônico (e-mail) do CIEVS nacional, o E-notifica (notifica@saude.gov.br).

Zika vírus

É uma doença viral aguda, transmitida principalmente por mosquitos do gênero Aedes, incluindo o Aedes aegypti.

É transmitida pela picada dos mosquitos aedes aegypti e/ou aedes albopictus.

Atenção:

Está descrito na literatura científica, a ocorrência de transmissão por acidente de trabalho em laboratório de pesquisa, perinatal e sexual, além da possibilidade de transmissão transfusional.

O período de incubação varia entre 3 e 12 dias após o contágio.

  • Febre por volta dos 38 graus;
  • Dor de cabeça;
  • Dores no corpo e nas articulações (que pode durar aproximadamente um mês)
  • Diarreia;
  • Náuseas e mal-estar;
  • Erupção cutânea (exantema)
  • Coceira intensa -rosto, tronco, membros e a palma das mãos e planta dos pés.
  • Fotofobia e conjuntivite eventualmente.

Atenção:

A doença pode ser assintomática.

Através do critério clínico-epidemiológico e exame laboratorial, principalmente, na detecção de RNA viral a partir de espécimes clínicos (sangue e outros).

Atenção:

No momento, não há sorologia disponível comercialmente para detecção de anticorpos para Zika Vírus no Brasil. Atualmente só há disponibilidade para realização de isolamento viral e RT-PCR, restrito aos Laboratórios de Referência.

O tratamento visa ao alívio dos sintomas com analgésicos, anti-inflamatórios não-esteroides e antitérmicos que não contenham ácido acetilsalicílico (AAS). Manter o paciente bem hidratado e procurar um médico assim que os primeiros sintomas se manifestarem.

Através do Boletim Epidemiológico- Volume 46, publicado pelo Ministério da Saúde, desde de abril de 2015, foi confirmada transmissão autóctone de febre pelo vírus Zika no país de 18 Unidades da Federação, a autoctonia da doença foi confirmada confirmaram laboratorialmente.

Sim. Os casos suspeitos devem ser comunicados e/ou notificados em até 24 horas a partir da suspeita inicial. Qualquer estabelecimento de saúde, público ou privado, deve informar a ocorrência de casos suspeitos às Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde e ao Ministério da Saúde.

Microcefalia, uma ameaça fetal

É caracterizada por uma malformação congênita, em que o cérebro não se desenvolve de maneira adequada. Neste sentido, os bebês nascem com perímetro cefálico (PC) menor que o normal, que habitualmente é superior a 32 cm.

Saiba Mais

O cérebro desenvolve-se desde a gestação até sensivelmente aos 12 anos de idade, destacando a importância sobre os cuidados acerca do mesmo desde o seu crescimento no útero.

(Fonte: Reprodução/Internet)

As causas da microcefalia podem incluir fatores de diferentes origens, como substâncias químicas e agentes biológicos (infecciosos), como bactérias, vírus e radiação. As infecções podem ser adquiridas pela mãe, especialmente no primeiro trimestre da gravidez, que é quando o cérebro do bebê está sendo formado, como: Toxoplasmose, rubéola e citomegalovírus.

Atraso no desenvolvimento neurológico, psíquico e/ou motor.

Saiba Mais

O tipo e o nível de gravidade da sequela vão variar caso a caso.

Sim, através da realização de exames de imagem, como a ultrassonografia.

Não há tratamento específico para a microcefalia. No entanto, as ações realizadas desde os primeiros anos melhoram o desenvolvimento e a qualidade de vida da criança. Estas deverão ser acompanhados por especialistas de diferentes áreas, dependendo das funções que ficarem comprometidas.

  • Realizar todas as consultas do pré-natal, se atentando a todos os exames recomendados pelo seu médico;
  • Não fazer uso de bebidas alcoólicas ou qualquer tipo de drogas;
  • Não utilizar medicamentos sem a orientação médica;
  • Evitar contato com pessoas com febre, manchas vermelhas (exantemas) ou infecções;
  • Adotar medidas que possam eliminar os criadouros de mosquitos transmissores de doenças;
  • Proteger-se de mosquitos, mantendo portas e janelas fechadas ou com telas, usar calça e camisa de manga comprida e utilizar repelentes indicados para o período da gestação.

O Ministério da Saúde considera confirmada a relação entre o vírus e a ocorrência de microcefalia. A evidência crucial para determinar essa ligação foi um teste feito no Instituto Evandro Chagas, órgão vinculado ao Ministério da Saúde no Pará, que detectou a presença do vírus zika em amostras de sangue coletadas de um bebê que nasceu com microcefalia no Ceará e acabou morrendo. No entanto, as investigações sobre o tema devem continuar para esclarecer outras questões.

Saiba Mais

Ainda não se sabe como o vírus atua no organismo humano, quais mecanismos levam à microcefalia e qual o período de maior vulnerabilidade para a gestante.

Tabela 1 – Distribuição acumulada1 dos casos notificados de microcefalia e/ou alterações do SNC, segundo definições do Protocolo de Vigilância. Brasil, de 08 de novembro de 2015 a 19 de novembro de 2016 (SE 45/2015 - SE 46/2016).

Regiões e Unidades Federadas Total acumulado¹ de casos notificados de 2015 a 2016 Casos notificados de Microcefalia e/ou Alterações do SNC², sugestivos de infecção congênita, em fetos, abortamentos, natimortos ou recém-nascidos.
% Permanecem em investigação Investigados e confirmados³ Investigados e descartados⁴
Brasil 10.276 100,0 3.113 2.189 4.974
1 Alagoas 358 3,5 51 85 222
2 Bahia 1.403 13,7 686 349 368
3 Ceará 617 6,0 134 150 333
4 Maranhão 322 3,1 78 159 85
5 Paraíba 926 9,0 178 189 559
6 Pernambuco 2.187 21,3 337 395 1.455
7 Piauí 193 1,9 9 99 85
8 Rio Grande do Norte 480 4,7 134 142 204
9 Sergipe 269 2,6 56 128 85
Nordeste 6.755 65,7 1.663 1.696 3.396
10 Espírito Santo 251 2,4 93 39 119
11 Minas Gerais 208 2,0 129 12 67
12 Rio de Janeiro 820 8,0 398 155 267
13 São Paulo 815 7,9 338 55 422
Sudeste 2.094 20,4 958 261 875
14 Acre 54 0,5 20 2 32
15 Amapá 16 0,2 2 9 5
16 Amazonas 51 0.5 16 22 13
17 Pará 111 1.1 91 9 11
18 Rondônia 39 0.4 21 7 11
19 Roraima 32 0.3 5 12 15
20 Tocantins 222 2.2 87 19 116
Norte 525 5.1 242 80 203
21 Distrito Federal 63 0.6 3 12 48
22 Goiás 219 2.1 64 39 116
23 Mato Grosso 338 3.3 133 49 156
24 Mato Grosso do Sul 54 0.5 9 25 20
Centro Oeste 674 6.6 209 125 340
25 Paraná 49 0.5 4 5 40
26 Santa Catarina 16 0.2 1 6 9
27 Rio Grande do Sul 163 1.6 36 16 111
Sul 228 2.2 41 27 160

Fonte: Secretarias de Saúde dos Estados e Distrito Federal (dados atualizados até 19/11/2016).

Regiões e Unidades Federadas Municípios com Casos Notificados Municípios com Casos Confirmados Número de Municípios por UF/Região
% %
Brasil 1758 31.6 727 13.1 5570
1 Alagoas 75 73.5 40 39.2 102
2 Bahia 207 49.6 92 22.1 417
3 Ceará 117 63.6 54 29.3 184
4 Maranhão 95 43.8 67 30.9 217
5 Paraíba 140 62.8 71 31.8 223
6 Pernambuco 178 96.2 107 57.8 185
7 Piauí 74 33 43 19.2 224
8 Rio Grande do Norte 91 54.5 47 28.1 167
9 Sergipe 56 74.7 43 57.3 75
Nordeste 1033 57.6 564 31.4 1794
10 Espírito Santo 35 44.9 11 14.1 78
11 Minas Gerais 88 10.3 12 1.4 853
12 Rio de Janeiro 59 64.1 17 18.5 92
13 São Paulo 156 24.2 24 3.7 645
Sudeste 338 20.3 64 3.8 1668
14 Acre 11 50 1 4.5 22
15 Amapá 4 25 3 18.8 16
16 Amazonas 14 22.6 9 14.5 62
17 Pará 44 30.6 4 2.8 144
18 Rondônia 12 23.1 2 3.8 52
19 Roraima 8 53.3 3 20 15
20 Tocantins 71 51.1 11 7.9 139
Norte 164 36.4 33 7.3 450
21 Distrito Federal 1 100 1 100 1
22 Goiás 45 18.3 18 7.3 246
23 Mato Grosso 55 39 15 10.6 141
24 Mato Grosso do Sul 19 24.1 11 13.9 79
Centro Oeste 120 25.7 45 9.6 467
25 Paraná 32 8 5 1.3 399
26 Santa Catarina 15 5.1 6 2 295
27 Rio Grande do Sul 56 11.3 10 2 497
Sul 103 8.6 21 1.8 1191

Fonte: Secretarias de Saúde dos Estados e Distrito Federal (dados atualizados até 19/11/2016).

Sim. Todos os casos suspeitos de microcefalia relacionada ao vírus Zika, devem ser registrados no formulário de Registro de Eventos de Saúde Pública (RESP – Microcefalias), online e disponível no endereço eletrônico www.resp.saude.gov.br (Figura 3) pelos serviços públicos e privados de saúde.

Figura 3 - Formulário eletrônico para envio das informações

Nota: disponível no endereço www.resp.saude.gov.br

Gestores e profissionais de saúde a notificação imediata não isenta o profissional ou serviço de saúde de realizar o registro dessa notificação no SINASC, por meio da Declaração de Nascido Vivo.

1- O que é o Plano Nacional de Enfrentamento à Microcefalia?

  • trata-se de uma mobilização nacional envolvendo diferentes ministérios e órgãos do governo federal, em parceria com Estados e municípios, para conter novos casos de microcefalia relacionados ao zika vírus.
  • resultado da criação do Grupo Estratégico Interministerial de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional e Internacional (GEI-ESPII)
  • envolve 19 órgãos e entidades.
  • Criado em 05/05/2015.

2- Como o Plano é dividido?

  • O plano é dividido em três eixos de ação:
  • mobilização e combate ao mosquito;
  • atendimento às pessoas;
  • desenvolvimento tecnológico, educação e pesquisa.
  • Medidas emergenciais colocadas em prática para intensificar as ações de combate ao mosquito.

Febre Amarela

A Febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, imunoprevenível, cujo agente etiológico é transmitido por vetores artrópodes. O vírus da febre amarela é um arbovírus do gênero Flavivirus, da família Flaviviridae. O vírus é transmitido pela picada dos mosquitos transmissores infectados e não há transmissão direta de pessoa a pessoa. A vacina é a principal ferramenta de prevenção e controle da doença.

Mosquitos aedes aegypti e haemagogus janthinomys.

Fonte: reprodução/internet, 2017.

A febre amarela ocorre nas Américas do Sul e Central, além de em alguns países da África e é transmitida por mosquitos em áreas urbanas ou silvestres. Sua manifestação é idêntica em ambos os casos de transmissão, pois o vírus e a evolução clínica são os mesmos, a diferença está apenas nos transmissores. No ciclo silvestre, em áreas florestais, o vetor da febre amarela é principalmente o mosquito Haemagogus. Já no meio urbano, a transmissão se dá através do mosquito Aedes aegypti (o mesmo da dengue). A infecção acontece quando uma pessoa que nunca tenha contraído a febre amarela outomado a vacina contra ela circula em áreas florestais e é picada por um mosquito infectado. Ao contrair a doença, a pessoa pode se tornar fonte de infecção para o Aedes aegypti no meio urbano. Além do homem, a infecção pelo vírus também pode acometer outros vertebrados. Os macacos podem desenvolver a febre amarela silvestre de forma inaparente, mas ter a quantidade de vírus suficiente para infectar mosquitos.
Atenção: Uma pessoa não transmite a doença diretamente para outra.

Ciclos da Febre Amarela.

Fonte: MS,2017.

O período de incubação no homem varia de 3 a 6 dias, podendo se estender até 15 dias.A viremia humana dura no máximo 7 dias e vai de 24-48 horas antes do aparecimento dos sintomas até 3 a 5 dias após o início da doença, e é durante esse período que o homem pode infectar os mosquitos transmissores. Nos casos que evoluem para a cura, a infecção confere imunidade duradoura.

O quadro clínico típico caracteriza-se por manifestações de insuficiência hepática e renal, tendo em geral apresentação bifásica, com um período inicial prodrômico (infecção) e um toxêmico. O período prodrômico dura cerca de 3 dias, tem início súbito e sintomas inespecíficos como febre, calafrios, cefaleia (dor de cabeça), lombalgia, mialgias generalizadas, prostração, náuseas e vômitos. Após esse período geralmente ocorre declínio da temperatura e diminuição dos sintomas, provocando uma sensação de melhora no paciente. Dura poucas horas, no máximo um a dois dias.

Por fim, inicia-se o período toxêmico, quando reaparece a febre, a diarréia e os vômitos têm aspecto de borra de café. Instala-se quadro de insuficiência hepatorrenal caracterizado por icterícia, oligúria, anúria e albuminúria, acompanhado de manifestações hemorrágicas: gengivorragia, epistaxe, otorragia, hematêmese, melena, hematúria, sangramentos em locais de punção venosa e prostração intensa, além de comprometimento do sensório, com obnubilação mental e torpor, com evolução para coma e morte. O pulso torna-se mais lento, apesar da temperatura elevada. Essa dissociação pulso-temperatura é conhecida como sinal de Faget.

Atenção Para efeito de vigilância, a definição de caso humano suspeito é:
“Indivíduo com quadro febril agudo (até 7 dias), de início súbito, acompanhado de icterícia e/ou manifestações hemorrágicas, residente ou precedente de área de risco para febre amarela ou de locais com ocorrência de epizootias em primatas não humanos ou isolamento de vírus vetores nos últimos 15 dias, não vacinado contra febre amarela ou com estado vacinal ignorado”

Ciclo de transmissão, sintomas e prevenção.

Fonte: Organização Mundial de Saúde, 2008.

O diagnóstico da febre amarela leva em conta os sintomas que o paciente apresenta, se já foi vacinado e há quanto tempo, e a ocorrência de casos da doença a sua volta. Visitou ou reside em áreas. A morte de macacos nos lugares em que vive ou visitou é outro indício importante a ser considerado. No entanto, só é possível confirmar o diagnóstico depois de realizar exames laboratoriais complementares (MAC-Elisa, PCR ou isolamento do vírus em cultura) em laboratórios de referência indicados pelas secretarias estaduais de saúde. Se o resultado dos testes for positivo, a única forma de impedir que o vírus se espalhe é vacinar a população que vive ou esteve nas áreas de risco.

Não existem medicamentos específicos para destruir o vírus, reverter o quadro clínico e evitar as complicações da febre amarela. O doente deve permanecer em repouso, em ambiente hospitalar e sob cuidados médicos para evitar as complicações graves da doença.

O único tratamento possível é o de suporte. Basicamente, ele consiste em manter o paciente bem hidratado e introduzir drogas para equilibrar a pressão arterial, corrigir os desequilíbrios metabólicos e aliviar os sintomas. Assim como na dengue, o uso de remédios que contenham ácido acetilsalícilico é contraindicado, porque aumenta o risco de sangramentos.

Nos casos mais graves, o paciente pode necessitar de diálise e transfusões de sangue.

Como a transmissão urbana da febre amarela só é possível através da picada de mosquitos Aedes aegypti, a prevenção da doença deve ser feita evitando sua disseminação. Os mosquitos criam-se na água e proliferam-se dentro dos domicílios e suas adjacências. Qualquer recipiente como caixas d'água, latas e pneus contendo água limpa são ambientes ideais para que a fêmea do mosquito ponha seus ovos, de onde nascerão larvas que, após desenvolverem-se na água, se tornarão novos mosquitos.

Portanto, deve-se evitar o acúmulo de água parada em recipientes destampados. Para eliminar o mosquito adulto, em caso de epidemia de dengue ou febre amarela, deve-se fazer a aplicação de inseticida através do "fumacê”. Além disso, devem ser tomadas medidas de proteção individual, como a vacinação contra a febre amarela, especialmente para aqueles que moram ou vão viajar para áreas com indícios da doença. Outras medidas preventivas são o uso de repelente de insetos, mosquiteiros e roupas que cubram todo o corpo.

Ações de combate ao aedes aegypti.

Fonte: reprodução/internet, 2017.

Existe uma vacina bastante segura e eficaz contra a febre amarela, produzida com o vírus vivo atenuado, da doença. Administrada em dose única por via subcutânea, ela é distribuída gratuitamente nos postos de saúde e raramente apresenta efeitos colaterais adversos. Em vários estados brasileiros, essa vacina já faz parte do Calendário Nacional de Vacinação.

A Organização Mundial de Saúde, em maio de 2013, anunciou que uma dose única da vacina contra febre amarela garante imunidade por toda a vida. Portanto, não considera necessária a aplicação da dose de reforço. Fica garantida, porém, a liberdade de cada país escolher a conduta que melhor se adapta às suas necessidades.

No Brasil, o Ministério da Saúde optou por manter o esquema de aplicar duas doses da vacina contra a febre amarela e recomenda que uma dose de reforço seja aplicada dez anos depois da primeira em adultos e crianças residentes em áreas de risco ou que vão viajar para esses lugares. Por isso, quem já recebeu as duas doses da vacina, com intervalo de dez anos entre elas, pode considerar-se definitivamente imunizado contra a doença e não precisa mais repetir as doses de reforço.

Vacina atenuada da febre amarela.

Fonte: reprodução/internet, 2017.

A vacinação contra a febre amarela é recomendada para uma grande área do Brasil onde a transmissão é considerada possível, principalmente para indivíduos não vacinados e que se expõem em áreas de mata, onde o vírus ocorre naturalmente. A vacina está recomendada nas ações de rotina dos programas de imunizações (Calendário Nacional de Vacinação), e deve ser aplicada em residentes da Área Com Recomendação de Vacina (ACRV) e em viajantes que se deslocam para essa área, conforme o mapa abaixo.

Área Com Recomendação de Vacina (ACRV).

Fonte: reprodução/internet, 2017.

Orientações para a vacinação contra febre amarela para residentes em área com recomendação da vacina ou viajantes para essa área.

Indicação Esquema
Crianças de 6 meses a 9 meses de idade incompletos A vacina está indicada somente em situações de emergência epidemiológica, vigência de surtos, epidemias ou viagem inadiável para área de risco de contrair a doença.
Pessoas a partir de 5 anos de idade, que receberam uma dose da vacina antes de completar 5 anos de idade. Administrar uma única dose de reforço, com intervalo mínimo de 30 dias entre as doses.
Pessoas a partir de 5 anos de idade, que nunca foram vacinadas ou sem comprovante de vacinação Administrar a primeira dose da vacina e, 10 anos depois, 1 dose de reforço.
Pessoas a partir dos 5 anos de idade que receberam 2 doses da vacina Considerar vacinado. Não administrar nenhuma dose.
Pessoas com 60 anos e mais, que nunca foram vacinadas ou sem comprovante de vacinação O médico deverá avaliar o benefício e o risco da vacinação, levando em conta o risco da doença e o risco de eventos adversos nessa faixa etária ou decorrentes de comorbidades.
Gestantes, independentemente do estado vacinal A vacinação está contraindicada. Na impossibilidade de adiar a vacinação, como em situações de emergência epidemiológica, vigência de surtos, epidemias ou viagem para área de risco de contrair a doença, o médico deverá avaliar o benefício e o risco da vacinação.
Mulheres que estejam amamentando crianças com até 6 meses de idade, independentemente do estado vacinal A vacinação não está indicada, devendo ser adiada até a criança completar 6 meses de idade. Na impossibilidade de adiar a vacinação, como em situações de emergência epidemiológica, vigência de surtos, epidemias ou viagem para área de risco de contrair a doença, o médico deverá avaliar o benefício e o risco da vacinação. Em caso de mulheres que estejam amamentando e receberam a vacina, o aleitamento materno deve ser suspenso preferencialmente por 28 dias após a vacinação (com um mínimo de 15 dias).
Viajantes Viagens internacionais: seguir as recomendações do Regulamento Sanitário Internacional (RSI). Viagens para áreas com recomendação de vacina no Brasil: vacinar, pelo menos 10 dias antes da viagem, no caso de primeira vacinação. O prazo de 10 dias não se aplica no caso de revacinação.

A vacina é contraindicada:

  • Crianças com menos de 6 meses de idade.
  • Pacientes com imunossupressão de qualquer natureza, como:
    • Pacientes infectados pelo HIV com imunossupressão grave, com a contagem de células CD4 < 200 células/mm3 ou menor de 15% do total de linfócitos, para crianças com menos de 6 anos de idade.
    • Pacientes em tratamento com drogas imunossupressoras (corticosteroides, quimioterapia, radioterapia, imunomoduladores).
    • Pacientes submetidos a transplante de órgãos.
    • Pacientes com imunodeficiência primária.
    • Pacientes com neoplasia.

Atenção:

Atenção: Nos casos de pacientes com imunodeficiência, a administração desta vacina deve ser condicionada a avaliação médica individual de risco-benefício e não deve ser realizada em caso de imunodepressão grave.

  • Indivíduos com história de reação anafilática relacionada a substâncias presentes na vacina (ovo de galinha e seus derivados, gelatina e outros produtos que contêm proteína animal bovina).
  • Pacientes com história pregressa de doenças do timo (miastenia gravis, timoma, casos de ausência de timo ou remoção cirúrgica).

Até 27 de janeiro de 2017, 555 casos suspeitos de febre amarela foram notificados ao Ministério da Saúde. Desses, 442 (79,6%) casos permanecem em investigação, 87 (15,7%) casos foram confirmados e 26 (4,7%) foram descartados. Do total de casos, 107 evoluíram para óbito, sendo que 65 (60,7%) óbitos permanecem em investigação e 42 (39,3%) óbitos foram confirmados.

UF Municípios com casos notificados Incidentes (/100 mil hab)
Total de casos notificados Casos em investigação Casos Confirmados Casos Descartados
DF 1 6 0 0 0
GO* 2 2 2 0 0
MS** 1 1 1 0 0
Região Nordeste
BA 3 7 6 0 1
Região Sudeste
ES 17 32 31 1 0
MG*** 53 504 402 83*** 19
SP 3 3 0 3 0
Total 80 555 442 87 26

*Incluídos caso noticiado pela SES-DF com local pravavel de enfecção em Goiás

**Incluídos caso noticiado pela SES-DF com local pravavel de enfecção no Mato Grosso do Sul

***Incluídos casos noticiados pela SES-DF da BA, GO, SP, SC e DF com local provável de enfecção em Minas Gerais

****Excluído um caso notificado pela SES DF com Local provável de Infecção em Minas Gerais que permanece em investigação

A ocorrência de casos suspeitos de febre amarela requer imediata notificação e investigação por se tratar de doença grave. Um caso pode significar a existência de um surto, o que impõe a adoção imediata de medidas de controle. Por ser uma doença de notificação compulsória internacional, todo caso suspeito deve ser prontamente comunicado por telefone, fax ou e-mail às autoridades sanitárias superiores.

Bibliografia: Dráuzio Varella, Ministério da Saúde, Fiocruz e Secretaria de Vigilância em saúde do MS, 2017.