Logotipo CNM Muncípios Contra a Dengue

Envie-nos seu material, boa prática, sugestões, ideias, opiniões e dicas

Articulação dos Serviços Municipais

Passos para formação da rede de cooperação contra o Aedes aegypti

As causas e consequências da proliferação do mosquito Aedes aegypti não podem ser combatidas apenas pelos profissionais da Saúde. Isso significa que é necessária a articulação de toda a comunidade local e regional, das instituições públicas e dos Entes federados.

Em um primeiro momento, a articulação municipal pode parecer complexa, mas, desde que a iniciativa seja bem planejada, torna-se uma ferramenta efetiva para somar esforços e vencer a luta contra o mosquito.

Neste tópico, o fundamental é o pensar, planejar, definir, organizar, integrar e avaliar a rede de cooperação contra o Aedes aegypti.

Para auxiliar tal tarefa, a CNM apresenta um passo-a-passo simplificado, composto basicamente de 4 pontos, como ilustrado na figura abaixo:

Este passo guarda relação com identificar todos os envolvidos que, a partir dos seus conhecimentos técnicos, práticas e vivências, podem compor a luta contra o mosquito: profissionais da Educação, da Assistência Social, do Meio Ambiente, da Agricultura, de Proteção e Defesa Civil, de Obras e Urbanismo, Bombeiros e demais.

Com o auxílio desses e de outros profissionais, o reconhecimento de áreas vulneráveis à proliferação do mosquito – ruas, quadras, setores, bairros, regiões, cidades – pode ser facilitado e o gestor adotar medidas educativas, preventivas e de combate.

TODOS SEM DISTINÇÃO devem ser chamados e reconhecidos para o “pensar e planejar” ações locais contra o Aedes aegypti.

Faz-se importante reconhecer os serviços públicos locais – também a partir do diagnóstico situacional – e essa informação deve ser compartilhada com todos os colaboradores municipais. Essa simples circulação da informação pode diminuir, por exemplo, o tempo de encaminhamento de uma criança com sintomas de dengue para atendimento, diagnóstico e cuidados necessários.

Este ponto diz respeito à organização e articulação da rede para que sejam pensadas e executadas as ações de prevenção e combate. Sugere-se que nesse planejamento sejam previstos, minimamente, os seguintes tópicos:

  • Definir periodicidade de reuniões;
  • Definir e padronizar material informativo – tipo, conteúdo (locais de atendimento, telefones úteis – Vigilância, Emergência, Posto 24hs, Unidades de Saúde), objetivo de cada conteúdo (prevenção, divulgação dos sintomas, cuidados para recuperação da saúde), quantidade de material a ser produzido;
  • Estabelecer como cada integrante da articulação contribuirá na luta contra o mosquito - quem, quando e como as ações de prevenção e combate se darão? Quais os resultados específicos esperados?
  • Sistematizar e organizar procedimentos a serem seguidos pelos integrantes da rede;
  • Estabelecer levantamento mensal da situação de Saúde - locais visitados, ações de prevenção (quantidade, local, participantes);
  • Construir e estabelecer parâmetros de avaliação e monitoramento das atividades da rede de cooperação e das ações de prevenção e combate ao Aedes aegypti.

Dessa forma, evita-se que as reuniões tornem-se espaços inférteis e que, por conseguinte, as ações sejam coordenadas e efetivas.

A formação da rede cooperação pode assumir diferentes nomes – comitê misto, comitê executivo, núcleo, colegiado, grupo intersetorial - mas, na essência, mantêm o formato: um grupo de entidades que assumem o compromisso de dialogar e agir em prol da luta contra o agente transmissor, o mosquito. Como mencionado, tal atuação pode parecer desafiadora e de fato é, mas ao ter estabelecido um planejamento, o agir em rede torna-se mais dinâmico e organizado.

A formação da rede de cooperação deve ter uma metodologia, um caminho a seguir para que de fato se consolide uma rede a qual possa dar encaminhamentos, ou seja, efetivar as discussões e determinações do colegiado. O “caminho” compreende:

  • Escolher (recortar) uma área geográfica de atuação, delimitar ambiente para formar rede de cooperação: bairros, Município, região de saúde, Estado, ....
  • Promover diagnósticos situacionais das ações e serviços de saúde e o contexto municipal (primeiro passo para a articulação).
  • Fomentar a atuação interinstitucional: consiste na aproximação e na promoção do diálogo entre os envolvidos (público, privado e sociedade civil organizada e comunidade em geral). Para tanto, sugere-se o encaminhamento de ofícios, promoção de capacitações institucionais e interinstitucionais na região e microrregião.

Este ponto prescinde do reconhecimento das responsabilidades de cada um, das competências e ações a desenvolver para que, de fato, a articulação seja efetiva.

A atividade de avaliar tem a função de identificar, de forma simples, se a rede de cooperação em torno da luta contra o mosquito está, de fato, cumprindo com seu propósito.

Ao mesmo tempo se faz necessário verificar se as ações planejadas e executadas se mostram efetivas na melhoria das condições de Saúde. Para realizar a avaliação, sugerem-se os pontos abaixo - essas sugestões não se esgotam em si, ou seja, outras questões podem e devem ser avaliadas:

Avaliar a atuação da rede de cooperação:

  • As reuniões têm sido realizadas e registradas para a prestação de contas?
  • Quem participa de fato?
  • Nas reuniões são estabelecidos “quem”, “quando”, “como” e “o quê”?
  • Os participantes se mostram comprometidos com as ações sob sua responsabilidade?
  • São identificados e solucionados os pontos frágeis da atuação da rede?

Avaliar as ações de prevenção:

  • A limpeza urbana melhorou (terrenos baldios limpos, menos lixos nas ruas, ...)?
  • A população está bem informada sobre as medidas de prevenção e combate? Quais meios de comunicação são mais efetivos?
  • O Município está planejando ou iniciando projetos que visem à disponibilização ou ampliação de serviços de água e esgoto?
  • As escolas do Município têm promovido atividades de conscientização para as crianças, adolescentes e suas famílias?
  • O material de prevenção (modos de armazenar de forma segura água para consumo, da limpeza de pátios, etc.) tem sido distribuído? Em qual quantidade? Em quais comunidades?
  • As áreas diagnosticadas como problemáticas têm recebido ações periódicas?

Avaliar as ações de diminuição de casos (combate):

  • o O número de casos por idade, gênero, localidade/bairro e rua tem apresentado qual comportamento após as ações articuladas da rede de cooperação?

Em termos de esforços em vigilância em saúde, a participação da população é fator construtor de soluções, mas não pode ser o único!

As atuais indicações da CNM não pretendem ser um modelo definitivo para a articulação via redes de cooperação, são um incentivo ao início do processo de melhorias da gestão da luta contra o Aedes aegypti.

Cada Município e cada território devem adaptar à sua realidade os passos evidenciados neste texto.